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A ação sinérgica do PCV-2 em doenças respiratórias

O Circovírus suíno tipo 2 (PCV-2) desempenha um importante papel no complexo respiratório dos suínos, problema que gera considerável prejuízo econômico por causar retardo no crescimento, anorexia, tosse e pneumonia nos animais acometidos. A atuação do PCV-2 nas doenças respiratórias muitas vezes pode ser associada  à interação e ao sinergismo desse vírus a outros patógenos respiratórios (Thacker et al., 2002; Kim et al., 2003).

Estudos demonstraram que leitões com 3 semanas de idade positivos para PCV-2 são mais propensos à infecção pelo vírus da Influenza suína, quando comparado a leitões livres da circovirose (Dorr et al., 2007). Nesse mesmo sentido,  Wei et al. (2010) demonstraram que, em suínos infectados apenas pelo PCV-2, os sinais clínicos respiratórios observados foram leves. Em contrapartida, nos animais em que havia coinfecção entre o vírus da Influenza suína e PCV-2, o quadro respiratório apresentado pelos suínos foi significativamente mais severo e prolongado. Esse estudo demonstrou também que o PCV-2 impacta diretamente no aumento de casos de doença clínica relacionada ao vírus da Influenza suína.    

Além disso, a coinfecção entre PCV-2 e Streptoccus suis tipo 2 é responsável por aumentar a severidade das lesões pulmonares causadas em leitões doentes, como resultado do aumento da patogenicidade desses agentes ao atuarem juntos. Esta ação conjunta é responsável por elevar a produção de citocinas inflamatórias, afetar a apresentação de antígenos e a resposta imune humoral, e assim,  desregulando a capacidade de resposta imunológica (Wang et al., 2020).  

Pesquisas são necessárias para esclarecer como as interações entre o PCV-2 e outros agentes ocorrem, investigando sua influência com o sistema imune dos suínos e o seu comportamento em animais vacinados, uma vez que já se sabe que a infecção pelo PCV-2 é responsável por abrir espaço para que outros agentes infecciosos tenham mais facilidade para infectar suínos de diferentes idades, e que a coinfecção entre esses patógenos pode oferecer um sinergismo na expressão da patogenicidade e sinais clínicos severos (Ouyang et. al, 2019). 

Dorr, P.M.; Baker, R.B.; Almond, G.W.; Wayne, S.R.; Gebreyes, W.A. Epidemiologic assessment of porcine circovirus type 2 coinfection with other pathogens in swine. J. Am. Vet. Med. Assoc. 2007, 230, 244–250. [CrossRef]

Kim J, Chung HK, Chae C. 2003. Association of porcine circovirus 2 with porcine respiratory disease complex. Vet J 166:251–256

Ouyang, T.; Zhang, X.; Liu, X.; Ren, L. Co-Infection of Swine with Porcine Circovirus Type 2 and Other Swine Viruses. Viruses 2019, 11, 185. https://doi.org/10.3390/v11020185

Thacker, E. L. & R. Thanawongnuwech, 2002. Porcine respiratory disease complex (PRDC). Thai Journal of Veterinary Medicine, 32, Suppl., 126−134. 

Wang Q, Zhou H, Hao Q, Li M, Liu J, Fan H (2020) Co-infection with porcine circovirus type 2 and Streptococcus suis serotype 2 enhances pathogenicity by dysregulation of the immune responses in piglets. Vet Microbiol 243:108653

Wei H, Lenz SD, Van Alstine WG, Stevenson GW, Langohr IM, Pogranichniy RM. Infection of cesarean-derived colostrum-deprived pigs with porcine circovirus type 2 and Swine influenza virus. Comp Med. 2010 Feb;60(1):45-50.