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Caso clínico – Atresia anal

O caso clínico foi reportado da granja experimental de uma escola de veterinária, onde uma fêmea suína de 25 dias apresentava tenesmo e frequentes contrações dos músculos abdominais. Os funcionários também observaram que além do esforço exacerbado de defecar, o animal eliminava fezes pastosas através da vagina.

Após o óbito, a fêmea foi encaminhada para o setor da escola de veterinária. Durante a aula prática dos alunos de graduação, o animal foi necropsiado. Na avaliação externa do cadáver, constatou-se a ausência da comunicação entre o reto e o meio externo (atresia anal), o que inviabilizaria uma defecação anatomicamente normal. À abertura da cavidade abdominal, observou-se líquido seroso na cavidade e aderências das alças abdominais. Devido ao acúmulo de fezes endurecidas e secas, a porção final do intestino estava intensamente aumentada de volume. Além disso, os alunos observaram que havia uma fístula que comunicava o reto com a vagina (fístula reto vaginal), o que permitia a eliminação de pequenas quantidades de fezes.

A atresia anal é um defeito congênito e que pode se apresentar sob três formas distintas: a atresia anal simples, quando o ânus se apresenta obstruído apenas por uma membrana; a atresia anal com ausência da porção final do retor; e por fim, a atresia anal com formação de fístula reto vaginal. O caso descrito é compatível com a terceira forma citada e o óbito ocorreu devido a interferência da fisiologia digestiva normal.

Cerca de 50% das fêmeas com atresia anal evoluem para fistulação reto vaginal. Dessa forma, o problema pode não ser imediatamente reconhecido pelos veterinários, sendo identificado tardiamente, durante o auxílio do parto.

A atresia anal só pode ser corrigida cirurgicamente. Uma vez que é um defeito de caráter hereditário, novos casos podem ser evitados pela identificação e eliminação do cachaço ou da porca portadores dos genes que condicionaram o defeito.

📸 Méd. Vet., MSc. Claiton Schwertz

Referências bibliográficas

Gorni, M.; Junior, F. G. C. Considerações sobre um caso de atresia anal em suínos. B. Indústr. Anim., SP, n.s. 29(2):411-16, 1972.

Sobestiansky, J.; Carvalho,  L. F.;  Barcellos, D. Mal formações. Sobestiansky, J.; Barcellos, D. Doenças dos Suínos. 2. ed.Canone. Goiania, 2012 p. 637-638.

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