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Caso clínico – Parvovirose suína

Em uma unidade produtora de leitões (UPL) com 3.000 matrizes foi observado nos últimos meses, o aumento nos índices de mumificação fetal da granja. O médico veterinário da propriedade observou que, principalmente em leitegadas de porcas de primeiro ou segundo parto, a ocorrência de abortos ou parição de leitões mortos, mumificados ou inviáveis havia aumentado de forma considerável. Ao checar os índices zootécnicos da granja, o profissional constatou a elevação nas taxas de retorno ao cio, porcas vazias mesmo após a cobrição, infertilidade e pseudociese.  Em contrapartida, nas leitegadas de fêmeas multíparas, mas matrizes e nos machos reprodutores não foram observados sinais clínicos indicativos de enfermidades reprodutivas.

Buscando entender as desordens na reprodução, o médico veterinário da granja entrou em contato com um laboratório de referência em diagnóstico de doenças de suínos, localizado a poucos quilômetros da propriedade. Após relatar os sinais clínicos observados, os técnicos do laboratório listaram possíveis causas para as alterações reprodutivas e direcionaram o responsável técnico da granja nos próximos passos a serem seguidos, a fim de alcançar um diagnóstico rápido e assertivo. A principal suspeita era a infecção pelo Parvovírus Suíno (PVS), patógeno responsável por causar problemas reprodutivos em rebanhos de todo o mundo. Devido a similaridade dos sinais clínicos com outras doenças reprodutivas, alguns diagnósticos diferenciais foram estabelecidos, dentre eles a leptospirose, brucelose, doença de Aujeszky, toxoplasmose e Peste Suína Clássica. 

As recomendações eram baseadas em coletar os fetos mumificados ou abortados, assim como os natimortos, e armazená-los imediatamente em refrigeradores para detecção do PVS através da técnica de PCR. O envio do material refrigerado para o laboratório deveria ser feito o quanto antes, preferencialmente não excedendo 12 após o início da conservação. Caso os fetos abortados tivessem mais de 70 dias, o material de escolha para diagnóstico deveria ser o soro sanguíneo, a fim de pesquisar por anticorpos contra o PVS pela técnica de inibição da hemaglutinação. Também foi recomendado o envio de soro das matrizes e dos machos reprodutores, que não eram vacinados contra o vírus. Por fim, a suspeita inicial da equipe do laboratório foi confirmada. O material genético do PVS foi detectado nos tecidos dos fetos mumificados pela técnica de PCR. Além disso, altos títulos de anticorpos contra o PVS foram encontrados nas amostras de soro das matrizes e dos cachaços. 

Um fator determinante para o acometimento do plantel pela parvovirose foi a ausência da principal “arma” contra o PVS: a vacinação. A utilização de vacinas inativadas contra o PVS é recomendada para manter um sólido status imunológico contra a parvovirose no rebanho, prevenindo o desenvolvimento da doença. A imunização pela vacina deve ocorrer após a queda de anticorpos maternos anti-PVS, de forma que não haja interferência na resposta imune vacinal. As fêmeas de reposição e os machos devem ser vacinados por volta de 1 mês antes de serem utilizados para reprodução, sendo necessário o reforço com nova aplicação da vacina entre duas e três semanas após a primeira dose. Finalmente, para acompanhar a imunidade do rebanho frente à parvovirose, o perfil sorológico da granja deve ser frequentemente avaliado. 

📸 Carlos Alberto Pereira Júnior

📸 Tatine Fiuza


Referências

Herdt, Geslaine et al. High prevalence of porcine circovirus 2, porcine parvovirus, and pathogenic leptospires in mummified swine fetuses in Southern Brazil. Ciência Rural [online]. 2019, v. 49, n. 4 [Accessed 30 May 2021] , e20180965. Available from: <https://doi.org/10.1590/0103-8478cr20180965>. Epub 11 Apr 2019. ISSN 1678-4596. https://doi.org/10.1590/0103-8478cr20180965.

ROEHE, P.M.; SOBESTIANSKY, J.; BARCELLOS, D.E.S.N. Parvovirose. In: SOBESTIANSKY J. & BARCELLOS D.E.S.N. (Org.). Doenças dos Suínos, 780 p. Goiânia, ed: Canône, p. 286-293, 2007.

Truyen, U. and Streck, A.F. (2019). Parvoviruses. In Diseases of Swine (eds J.J. Zimmerman, L.A. Karriker, A. Ramirez, K.J. Schwartz, G.W. Stevenson and J. Zhang). https://doi.org/10.1002/9781119350927.ch38

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