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Caso clínico: Pasteurelose pulmonar

Um médico veterinário foi solicitado a realizar atendimento em uma unidade de produção do tipo sítio 3 (recria/terminação). O motivo da visita foi investigar o aumento de tosse e redução do desempenho em suínos com doze semanas de idade. O manejo da granja consistia em um sistema contínuo, com desinfecção e vazio sanitário apenas nas porções desocupadas das instalações.

Na ocasião da visita, o médico veterinário notou que ventilação no galpão era ruim, além das baias apresentarem uma alta quantidade de matéria orgânica. Os dois fatores combinados contribuíam para a redução da qualidade do ar, o que tornava o ambiente desconfortável para os animais e para os funcionários responsáveis pela instalação. O veterinário realizou a eutanásia de cinco suínos que apresentavam escore corporal baixo e tosse severa. Nenhum desses animais havia sido medicado anteriormente. À necropsia, observou-se áreas de consolidação nos lobos craniais e diafragmáticos do pulmão. Adicionalmente, havia pleurite e alguns animais apresentaram abscessos, com aderência da pleura na cavidade torácica. Como os sinais clínicos e lesões eram compatíveis com vários agentes bacterianos, o diagnóstico definitivo só seria possível por meio de isolamento do agente ou realização de outros testes, como provas moleculares. Fragmentos de pulmões lesionados foram fixados em formol para a realização do exame histopatológico. Adicionalmente, foram enviadas porções refrigeradas do órgão para isolamento bacteriano.

Nos pulmões dos suínos necropsiados, houve crescimento de colônias de aspecto mucoide em placas de ágar sangue. Também foi possível observar o fenômeno de satelitismo negativo na placa, resultado que descartaria a possibilidade de a bactéria isolada ser da espécie Glaesserella parasuis, por exemplo. No exame histopatológico, observou-se uma broncopneumonia purulenta acentuada, com presença de neutrófilos no interior de brônquios, bronquíolos e alvéolos. Os achados laboratoriais eram bem compatíveis com Pasteurella multocida, resultado que foi confirmado após a realização da PCR das colônias isoladas em ágar. O teste também permitiu caracterizar os isolados em P. multocida tipo capsular A, cepa comumente encontrada no pulmão.

É importante ressaltar que tanto os sinais clínicos, quanto as lesões observadas à necropsia eram compatíveis com outros agentes, como Mycoplasma hyopneumoniae e Bordetella bronchiseptica (devido a pneumonia), Streptococcus suis (devido aos abscessos) e Glaesserella parasuis e Mycoplasma hyorhinis (devido a pleurite). Portanto, o envio de amostras ao laboratorial foi essencial para o diagnóstico definitivo.

O controle da Pasteurella multocida e de outros agentes respiratórios inclui correções ambientais, melhorias nas práticas de manejo, além de antimicrobianos e vacinação. Em relação à entrada de novos animais no plantel, a realização da quarentena é essencial para evitar a introdução de novos sorotipos de P. multocida na granja. A antibioticopterapia é realizada para o tratamento da infecção, no entanto, devido ao surgimento de cepas resistentes, nem sempre há sucesso. As tetraciclinas, ceftioufur, amoxilina, florfenicol, lincomicina e sulfa-trimetoprima, são alguns dos princípios ativos utilizados. A escolha e o uso de antimicrobianos, assim como o desenvolvimento de um programa de controle e tratamento dos casos clínicos de pasteurelose pulmonar, devem ser orientados por um médico veterinário experiente.

Foto 1 e 2: Tatiana Fiuza

Foto 3: Thiago Gomes da Fé

Referências bibliográficas

Borowski, S.M.; Barcellos, D.; Morés, N. Pasteurelose pulmonar. Sobestiansky, J.; Barcellos, D. Doenças dos Suínos. 2. ed.Canone. Goiania, 2012 p. 235-240.

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