fbpx

Caso clínico: Pleuropneumonia suína

Um médico veterinário foi solicitado a realizar atendimento em uma terminação. O motivo do chamado foi devido ao aumento da mortalidade de leitões com 85 dias de alojamento. Os animais eram oriundos de um mesmo sítio de creche, o qual misturava, todavia, leitões desmamados de 7 unidades produtoras de leitões (UPL).

Na ocasião da visita, os funcionários queixaram-se das mortes súbitas no lote que seria abatido dali a 15 dias. Também observaram que houve redução do consumo pelos animais, apatia e dispneia. O veterinário realizou a necropsia de quatro animais que morreram no dia da visita. Nenhum desses animais havia sido medicado anteriormente. À necropsia, observou-se áreas de consolidação pulmonar de aspecto hemorrágico. A principal suspeita era a infecção por Actinobacillus pleuropneumoniae (APP) e Actinobacillus suis, mas o veterinário não descartou a coinfecção com outros agentes, uma vez que esse rebanho apresentava, frequentemente, problemas associados a enfermidades respiratórias. Fragmentos dos órgãos lesionados foram fixados em formol para a realização do exame histopatológico. Adicionalmente, foram coletados de forma asséptica, swabs de pleura, pulmão e brônquios para exame bacteriológico e molecular, sendo enviados para o laboratório sob refrigeração.

No exame histopatológico, observou-se pneumonia exsudativa fibrinohemorrágica, trombose de vasos sanguíneos e linfáticos, e grandes áreas de necrose coagulativa.  Em todos os leitões necropsiados, houve isolamento bacteriano deAPP em ágar sangue, sendo confirmado por meio de testes bioquímicos específicos e por PCR das colônias. Além disso, os resultados da PCR das amostras bronquiais também revelaram-se positivas para Mycoplasma hyopneumoniae.

De acordo com o histórico da granja, o APP sempre esteve presente no rebanho. O agente já havia sido identificado na tonsila de leitões ao desmame, mostrando que a colonização pela bactéria ocorria na fase de lactação, sendo a porca a fonte primária do APP. Esporadicamente, observavam-se quadros clínicos superagudos com mortes súbitas na fase de terminação. Sabe-se que portadores saudáveis do APP podem excretar a bactéria e contaminar outros suínos, mesmo que sem o desenvolvimento de sinais clínicos. Fatores de risco como estresse, superlotação, movimentação, alteração do ambiente pulmonar por outros agentes infecciosos, mistura de suínos e ambiência são considerados gatilhos para o desenvolvimento da doença clínica.

Neste rebanho, o ponto chave para controlar a pleuropneumonia é a redução da excreção das matrizes no momento do parto e durante a lactação. O tratamento de porcas pré-parto com antimicrobianos também pode ser uma alternativa interessante para redução da carga infecciosa dos leitões. Essa alternativa deve, no entanto, ser analisada com cautela pelo médico veterinário, uma vez que a utilização de drogas pode provocar alterações prejudiciais na microbiota residente do animal. Nas fases subsequentes, evitar a mistura de leitões de diferentes origens seria um fator importante na diminuição da colonização pelo APP, porém, sabe-se que nem sempre essa alternativa é possível.

O tratamento dos suínos doentes é crucial para reduzir a excreção e disseminação do agente dentro da baia. Tratamentos preventivos devem ser considerados desde que as drogas não interfiram na resposta imune ativa do animal, permitindo que os suínos sejam expostos pelo agente de uma maneira controlada. Quando bem sucedidos, os tratamentos protegerão os animais da doença ao longo das próximas fases, mesmo que o microrganismo ainda possa estar sendo transmitido. A implantação de um controle integrado de patógenos respiratórios e a manutenção da sanidade do plantel também são fatores fundamentais no controle da doença clínica.

A vacinação pode ser implementada de acordo com a dinâmica de infecção do rebanho, que só é possível ser determinada após a realização da sorologia dos animais. A vacina não impede a colonização ou excreção do APP, mas é eficiente no controle da doença clínica e da pleurisia.

Fotos: Henrique Almeida

Dellanora, D.; Walter, M. P.; Queirós, A. A. Erradicação e controle de Actinobacillus pleuropneuomoniae: os desafios da realidade brasileira. In:Anais doXII Simpósio Internacional de Suinocultura. (Porto Alegre). 2019.

Santos, J.S.; Barcellos, D.; Morés, N. Pleuropneumonia. Sobestiansky, J.; Barcellos, D. Doenças dos Suínos. 2. ed.Canone. Goiania, 2012 p. 241-246.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *