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Caso clínico – Varíola suína

Um laboratório de diagnóstico recebeu alguns leitões de maternidade para a realização de necropsias. De acordo com o histórico, os animais eram provenientes de uma granja de ciclo completo que, nos últimos três meses, havia apresentado aumento da incidência de leitões com doenças de pele. Geralmente, os sinais clínicos e lesões eram bastante características de epidermite exsudativa, mas algumas leitegadas iniciaram uma apresentação clínica diferente. De acordo com a descrição fornecida pelo médico veterinário da granja, esses leitões apresentavam, inicialmente, erupções musculares cutâneas arredondadas, multifocais a coalescentes, de coloração avermelhada. Ciente de que as observações não eram mais compatíveis com epidermite exsudativa, o veterinário optou por enviar materiais para diagnóstico.

No laboratório, os leitões recebidos apresentavam lesões um pouco diferentes daquelas descritas no histórico, sugerindo que a doença já havia evoluído naqueles animais. As observações feitas consistiram em pústulas e erosões ao redor dos olhos, boca, dorso, orelhas, pescoço, região inguinal e face interna da coxa. O patologista suspeitou de uma infecção viral e enviou fragmentos de pele para processamento histológico.

Microscopicamente, observou-se áreas de ulceração na epiderme, grande quantidade de debris celulares, fibrina, neutrófilos degenerados e numerosas colônias de bactérias. Na derme, observou-se áreas ulceradas e infiltradas por moderado número de linfócitos e poucos macrófagos. A identificação de corpúsculos de inclusão intracitoplasmáticos em combinação com as observações macroscópicas da pele, fizeram o patologista concluir o caso como varíola suína causada pelo poxvírus.

A varíola suína ocorre mundialmente e está associada a condições higiênico-sanitárias precárias. A transmissão pode ser direta (de animal para animal) ou indireta (através de vetores mecânicos ou fômites). A mosca doméstica e o piolho têm sido responsáveis pela rápida difusão do vírus. Nas granjas contaminadas, a infecção pode persistir indefinidamente.

Como não existe um tratamento específico, foi recomendado que os animais afetados fossem isolados e mantidos em ambiente seco e limpo. Para evitar a disseminação do poxvírus, a realização de programas de limpeza e desinfecção é imprescindível, assim como o controle de ectoparasitas e moscas. Animais de reposição podem introduzir o vírus no rebanho, dessa forma, a inspeção cuidadosa deve ser realizada, buscando por lesões cutâneas e ectoparasitas.

Fotos: Méd. Vet. Jessica dos Santos

Referências

Roehe, P., Brito, W. D. Varíola. Sobestiansky, J.; Barcellos, D. Doenças dos Suínos. 2. Ed. Canone. Goiânia, 2012 p. 409-411.

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