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Colistina: presente ou passado no controle da colibacilose pós-desmame?

A colistina é o principal antibiótico que vem à cabeça dos veterinários quando se fala em controle de diarreias no período pós desmame. Desde o início de seu uso clínico em 1960, a colistina tem sido amplamente utilizada na produção de suínos, para o tratamento e prevenção de distúrbios digestivos causados ​​por bactérias da família Enterobacteriaceae, especialmente aqueles causados pela Escherichia coli. Em alguns países, onde é permitido o uso para esse fim, a colistina é administrada aos animais por longos períodos para melhorar o desempenho, através da melhoria da taxa de crescimento e da conversão alimentar (Catri et al., 2015; Rhouma et al., 2015). A principal forma disponível comercialmente para uso em suínos é o sulfato de colistina. Normalmente é utilizada em monoterapias (embora possa ser associada com outros antimicrobianos), sendo administrada por via oral, na ração ou na água de bebida dos suínos (Kempf et al., 2013). 

Devido à sua atividade contra bactérias Gram-negativas, a colistina é amplamente utilizada para o controle da Colibacilose Pós-desmame (CPD) em suínos (Timmerman et al., 2006; Liu et al., 2016). Pela facilidade de uso e o baixo custo, a molécula é frequentemente empregada nas rações de fases iniciais, após o desmame. Em um estudo realizado na França, foi relatado que 90% das granjas de suínos usavam colistina durante o período pós-desmame (Timmerman et al., 2006). Indica-se a China como o país com maior consumo mundial dessa molécula em suinocultura (Liu et al., 2016), embora não haja relatos especificando a fase de uso naquele país. 

No entanto, o uso massivo e irrestrito de colistina está com os dias contados.  Em muitos países já ocorreu o banimento da molécula, quer como promotor de crescimento, quer como terapêutico. Desde 2015, quando foi descoberto o plasmídeo mediador de resistência da colistina (MCR1) em granjas de animais (suínos, aves, bovinos) e em humanos, várias agências regulatórias começaram a reavaliar o uso da colistina em animais de produção, incluindo os suínos. A partir de então, as polimixinas, classe farmacológica onde a colistina se enquadra, passaram a ser consideradas como antimicrobiano de altíssima prioridade entre os criticamente importantes de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). O Brasil atualmente possui o uso da colistina como promotor de crescimento proibido, mas seu uso terapêutico ainda está aprovado. Alguns países vizinhos do Brasil já proibiram seu uso também de forma terapêutica, como exemplo da Argentina, Uruguai e Equador. Já no âmbito mundial, ambos os usos estão proibidos em países como Malásia, Índia, Cingapura e México. Na China, o uso de colistina como promotor de crescimento também está proibido e o uso de forma terapêutica passou a ser considerado como de última opção.

A redução do uso de colistina está sendo promovido em todo mundo e é exigido nas diferentes legislações como medida de saúde pública para reduzir o risco da disseminação da resistência bacteriana à colistina e prevenir a perda da eficácia das polimixinas na medicina humana (Kempf et al., 2013). Muitos países importadores de carne suína do Brasil, também exigem que os animais sejam criados sem a utilização de colistina, já que o produto é proibido em sua produção local. Sendo assim, fica cada vez mais importante para a produção brasileira possuir estratégias e medidas que auxiliem no controle e prevenção da CPD em leitões, distintas do uso massivo de colistina, facilitando o acesso dos produtos suinícolas brasileiros no mercado internacional e atendendo às políticas e recomendações de uso prudente de antimicrobianos.

Referências

Catry B, Cavaleri M, Baptiste K, Grave K, Grein K, Holm A, et al. Use of colistin-containing products within the European Union and European Economic Area (EU/EEA): development of resistance in animals and possible impact on human and animal health. Int J Antimicrob Agents. 2015;46:297–306.

Rhouma M, Beaudry F, Thériault W, Bergeron N, Laurent-Lewandowski S, Fairbrother JM, et al. Gastric stability and oral bioavailability of colistin sulfate in pigs challenged or not with Escherichia coli O149:F4 (K88). Res Vet Sci. 2015;102:173–81.

Kempf I, Fleury MA, Drider D, Bruneau M, Sanders P, Chauvin C, et al. What do we know about resistance to colistin in Enterobacteriaceae in avian and pig production in Europe? Int J Antimicrob Agents. 2013;42:379–83.

Timmerman T, Dewulf J, Catry B, Feyen B, Opsomer G, De Kruif A, et al. Quantification and evaluation of antimicrobial drug use in group treatments for fattening pigs in Belgium. Prev Vet Med. 2006;74:251–63.

Liu YY, Wang Y, Walsh TR, Yi LX, Zhang R, Spencer J, et al. Emergence of plasmid-mediated colistin resistance mechanism MCR-1 in animals and human beings in China: a microbiological and molecular biological study. Lancet Infect Dis. 2016;16:161–8.

World Health Organization – WHO. Critically important antimicrobials for human medicine, 6th edition, Switzerland, 2019.

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