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Como a diversidade microbiana pode minimizar os impactos da ileíte?

A ileíte é uma doença de extrema importância econômica, principalmente a doença subclínica (onde não há sinais clínicos, porém há perdas na produtividade). Nesse cenário, o uso de antibióticos acaba sendo empregado de forma profilática como forma de controle. No entanto, sabemos que os antimicrobianos têm um efeito claro sobre a microbiota intestinal do animal. 

A perda da diversidade microbiana acaba gerando um desequilíbrio na interação microbiota-hospedeiro (disbiose). De acordo com alguns pesquisadores, a alimentação com doses subterapêuticas de antimicrobianos pode afetar a microbiota e a saúde dos suínos (Gresse et al., 2017; Zeineldin et al., 2019). Jo et al. (2021), por exemplo, observaram que a lincomicina, um antibiótico muito utilizado na suinocultura, induziu a perda da diversidade microbiana em pelo menos quatro dos principais filos dominantes no intestino suíno. A falta de abundância de Treponema, Succinivibrio, Fibrobacter e Cellulosilyticum na microbiota fecal de leitões que receberam doses subterapêuticas de lincomicina, também foi observada por Jo et al. (2021). 

A digestibilidade da fibra é uma importante função da microbiota do cólon, liberando energia e nutrientes de materiais indigestos (Lindberg, 2014; Jha et al., 2019). Jo et al. (2021) observaram que os animais que receberam lincomicina em doses subterapêuticas tiveram os níveis de degradação da pectina (um tipo de fibra) diminuídos. Além do mais, nesse mesmo estudo foi observado um aprimoramento da via de biossíntese de arginina na microbiota de suínos não tratados com lincomicina. A arginina, sintetizada a partir da glutamina, é necessária para o desempenho do crescimento e a eficiência alimentar em suínos em crescimento (Hou e Wu, 2018).

Tais dados sugerem que o desequilíbrio da microbiota, causado pela administração da lincomicina, pode afetar o metabolismo e prejudicar a digestão de nutrientes dos suínos, e reforça cada vez mais a ideia da adoção de alternativas ao uso de antibióticos. As vacinas, por exemplo, associadas a boas práticas de manejo, é uma das mais importantes alternativas para a diminuição do uso de antibióticos promotores de crescimento. 

Referências

Costa, K. A., Soares, A. D., Wanner, S. P., Santos, R., Fernandes, S. O., Martins Fdos, S., et al. (2014). L-arginine supplementation prevents increases in intestinal permeability and bacterial translocation in male Swiss mice subjected to physical exercise under environmental heat stress. J. Nutr. 144, 218–223. 

Gresse, R., Chaucheyras-Durand, F., Fleury, M. A., Van De Wiele, T., Forano, E., and Blanquet-Diot, S. (2017). Gut Microbiota Dysbiosis in Postweaning Piglets: Understanding the Keys to Health. Trends Microbiol.

Hou, Y., and Wu, G. (2018). L-Glutamate nutrition and metabolism in swine. Amino Acids 50, 1497–1510. doi: 10.1007/s00726-018-2634-3.

Jha, R., Fouhse, J. M., Tiwari, U. P., Li, L., and Willing, B. P. (2019). Dietary Fiber and Intestinal Health of Monogastric Animals. Front. Vet. Sci. 6:48. 

Jo HE, Kwon M-S, Whon TW, Kim DW, Yun M, Lee J, Shin M-Y, Kim S-H and Choi H-J (2021) Alteration of Gut Microbiota After Antibiotic Exposure in Finishing Swine. Front. Microbiol. 12:596002. 

Lindberg, J. E. (2014). Fiber effects in nutrition and gut health in pigs. J. Anim. Sci. Biotechnol. 5:15. 

Zeineldin, M., Aldridge, B., and Lowe, J. (2019). Antimicrobial Effects on Swine Gastrointestinal Microbiota and Their Accompanying Antibiotic Resistome. Front. Microbiol.