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Como alimentar nove bilhões de pessoas de maneira sustentável

Se tornar autossuficiente em produção de alimentos- qual é a melhor alternativas pra a os países alimentarem sua população de maneira sustentável?

O consumo de carne global dobrará em 2050, quando são projetados 9.1 bilhões de pessoas para alimentar.

A população está a crescendo e isso vem acontecendo com maior intensidade em países em desenvolvimento. A industrialização na Índia, China e nos países em desenvolvimento do Sudeste Asiático está se espelhando nos caminhos percorridos anteriormente pelo Japão, Coréia do Sul e Taiwan.

Entretanto, a maior diferença é que os países já desenvolvidos representam 4% da

população mundial, enquanto que os países com industrialização recente passam dos 50%. Isso traz implicações significativas na maneira como os recursos mundiais são usados de maneira sustentável para atender a demanda crescente por alimentos.

Em nível global, existem sinais de que o suprimento de produtos agrícolas é limitado. Ambos os países desenvolvidos e em desenvolvimento estão ficando sem terra para expandir a produção agrícola. Água para a agricultura vem se tornando cada vez mais limitada e a produtividade agrícola e taxas de crescimento estão decaindo na maioria das regiões e países. Além disso, a taxa de crescimento das colheitas vem sendo mais lentas desde 1990.

O declínio da produtividade, combinado com a crescente demanda, tem elevado o preço dos produtos agrícolas desde a virada do século.

Alimentar 9 bilhões de pessoas de maneira sustentável requer ação global, nacional, regional e em eventos locais. Para que isso ocorra deve se focar em mudanças na percepção do assunto, separar o fato da ilusão e incentivar os países com os recursos e espaço em se concentrarem no que eles são bons – a produção de alimentos de forma sustentável.

O que não faz parte das respostas?

Preferências do governo e dos consumidores em relação à autossuficiência, a compra de produtos locais e uso de alimentos para fins não alimentares. Todos esses fatores trazem limitações para a capacidade de alimentar nove bilhões de pessoas.

Políticas de autossuficiência

Uma resposta comum do governo para a escassez de alimentos que se aproxima e os preços mais elevados é a busca da autossuficiência; no entanto, a autossuficiência pode resultar em segurança alimentar reduzida e preços mais elevados.

Compra local

Na tentativa de apoiar a produção local, campanhas estimulam os consumidores a “comprarem produtos locais”. Este movimento se alinha aos objetivos de autossuficiência de muitos governos.

Os custos da produção agrícola dependem dos recursos naturais, tais como temperatura, precipitação, insolação e qualidade do solo. Diferentes produtos agrícolas exigem diferentes condições. Faz sentido econômico e ambiental concentrar a produção nas áreas mais adequadas.

É por isso que a Califórnia, com invernos amenos, verões quentes e solos férteis, produz todas as amêndoas cultivadas nos Estados Unidos e 80% morangos e uvas. É também por isso que a Austrália produz carne de cordeiro e o excedente é exportado.

Se esta estratégia for deixada de lado, mais tempo será necessário para se alcançar altos níveis de produtividade em regiões não tão propensas a produção, o que é prejudicial para a sustentabilidade global.

Semelhante a este é a ilusão “food miles” , na qual o custo de compra local pode realmente ser maior do que a compra de um fornecedor com maior vantagem na produção. Por exemplo, a pesquisas tem mostrado que as emissões de dióxido de carbono podem ser reduzidas através da produção de produtos lácteos e carne na Nova Zelândia e, se em seguida, forem enviadas ao Reino Unido, em vez destes produtos serem produzidos localmente.

Alimentos utilizados como combustível

O uso de alimentos para fins não alimentares através de incentivos políticos artificiais, tais como a produção de etanol nos EUA resultou em preços mais altos do milho. Os preços do milho estavam em torno de 30% mais elevados entre 2006 e 2011, período no qual se estabeleceu a produção de etanol a partir do grão de milho.

E a solução…

Politicamente, os governos devem auxiliar na busca de formas sustentáveis de produção, mas as pessoas também têm um papel a desempenhar.

Melhorar dietas

Um ponto de partida seria mudar dietas ocidentais a dietas de acordo com os níveis nutricionais altos, baixas taxas de obesidade e baixo impacto ambiental.

A dieta da Austrália, como a maioria das dietas ocidentais, é rica em grupos de alimentos de baixa qualidade nutricional, os “junk foods”.  Estes alimentos são pobres em nutrientes, contribuem para a obesidade. A redução do consumo destes tipos de alimentos pode levar a grandes reduções nas emissões de gases de efeito estufa e recursos naturais.

Maior investimento em pesquisa e desenvolvimento

A taxa de crescimento na área de pesquisa agrícola tem diminuído em países desenvolvidos. Sem um foco renovado sobre as pesquisas, aumento da eficiência e produtividade na exploração para enfrentar o desafio agrícola de forma sustentável, fornecer mais alimentos para a população mundial vai ser difícil.

A redução das barreiras comerciais

Um estudo recente estimou que as  barreiras comerciais custam à indústria australiana mais de US $ 1 bilhão por ano.

Altas tarifas são impostas para que os produtos de origem animal permaneçam no comercio local – tarifas superiores a 30% para os produtos à base de carne não são incomuns.

A liberalização do comércio permite que os países com disponibilidade de recursos naturais para a produção agrícola  produzam alimentos para a crescente população de forma sustentável.

Tradução: Júlia Linck Moroni, Medicina Veterinária
Adaptado de How to Feed Nine Billion People Sustainably- Dr Peter Barnard, Director of Trade, Market access and Industry Strategy with Meat & Livestock Australia.

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