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Desafios Respiratórios na Suinocultura

As doenças respiratórias representam um dos maiores desafios na suinocultura moderna gerando alto prejuízo econômico e produtivo. Estas perdas são representadas por aumento nos gastos com medicamentos, prejuízos nos índices zootécnicos e condenações de carcaças nos abatedouros.

Um compilado atualizado contendo diversos estudos brasileiros relacionados à monitorias de abate, demonstrou que em média 62,41% dos animais apresentam lesões pulmonares no abate (Quadro 1), e, estima-se que 0,5% dos suínos abatidos no Brasil tenham suas carcaças desviadas da linha de abate por lesões respiratórias.

Quadro 1. Médias de prevalência de lesões pulmonares em suínos abatidos em diferentes regiões e anos no Brasil.

AutoresRegiões avaliadasPrevalência 
Sobestiansky et al., 1987Sul55,3%
Reis et al., 1992Sudeste53,9%
Stepan, 1995Sul29,6%
Sobestiansky et al., 2001Sul54,9%
Silva et al., 2001Sul, Sudeste e Centro-oeste75,7%
Silva et al., 2002Sul, Sudeste e Centro-oeste69,3% 
Silva et al., 2006Sul, Sudeste e Centro-oeste63,6%
Moreira et al., 2011Centro-oeste53,6%
Baraldi et al., 2019Sudeste79,9%
Galdeano et al., 2019Centro-oeste88,4%
Média62,4%
          Fonte: Adaptado de Takeuti, 2017.

Os principais agentes envolvidos nas doenças respiratórias em suínos são enzoóticos na maioria das granjas, sendo que alguns deles fazem parte da microbiota comensal do trato respiratório. Tais microrganismos  variam entre bactérias, vírus, micoplasmas, podendo ser os responsáveis primários, secundários e ocasionais (Quadro 2). 

A etiologia dos problemas respiratórios em suínos é complexa e normalmente ocorre interação de dois ou mais agentes infecciosos, além do envolvimento de fatores de risco relacionados ao manejo e ambiente onde os animais são criados. Por isso, o termo “complexo respiratório dos suínos” (CRS) tem sido muito utilizado para referenciar os quadros clínicos.

Atualmente nos quadros complexos de pneumonia há interação do SIV tipo A, M. hyopneumoniae e PCV2 como agentes primários e Pasteurella multocida como secundário, apesar de seu papel como agente primário já ter sido estabelecido no Brasil.

Quadro 2. Principais agentes envolvidos nas doenças respiratórias em suínos.

 PrimáriosSecundáriosOcasionais
VírusPRRSInfluenza suína (SIV)PCV2Doença de AujeszkyCoronavírus respiratório suínoCitomegalovírus suínosEncefalite hemaglutinanteAdenovírusEncefalomiocardite
MicoplasmasMycoplasma hyopneumoniaeMycoplasma hyorhinis——–
BactériasActinobacillus pleuropneumoniaePasteurella multocida (cepas de alta virulência)Streptococcus suisHaemophilus parasuis*Pasteurella multocida (maioria das cepas)Actinobacillus suisSalmonella choleraesuisArcanobacterium pyogenes
  Fonte: Adaptado de David Barcellos

As perdas por pneumonia enzoótica, por exemplo, podem chegar a 20% na conversão alimentar e 30% no GPD, dependendo da gravidade das lesões causadas por infecções secundárias e ainda pode atrasar o abate de 6 a 25 dias. Na figura abaixo (Figura 1) estão descritos todos os agentes que podem acometer leitões ao longo das diferentes fases de produção e suas possíveis interações.

Fonte: Adaptado Gabrielli, 2018.

Figura 1. Agentes relacionados às Doenças Respiratórias dos Suínos ao longo da produção de suínos.

Portanto, é imprescindível criar e manter um programa adequado de biosseguridade reduzindo a chance de introdução de agentes não presentes na granja. Outros manejos preventivos, tais como um bom manejo de colostro nos leitões ao nascimento, auxiliam na redução de possíveis desafios respiratórios precoces e garantem uma boa ambiência para que os patógenos comensais e oportunistas não consigam desenvolver quadros clínicos ou subclínicos importantes.