fbpx

Impacto da microbiota na saúde intestinal e conversão alimentar

No cenário atual, com os preços de soja e milho nas alturas, o foco é sempre na conversão alimentar. A ração é o fator que mais impacta no custo de produção animal, tornando a suinocultura refém das variações nos preços dos insumos. Melhorar a eficiência alimentar é uma das principais estratégias para maiores ganhos financeiros.

Muitos fatores podem influenciar na conversão alimentar dos suínos, incluindo dieta, genética, ambiência, sanidade, entre outros. Alguns estudos sugerem que a microbiota intestinal é um fator contribuinte para uma melhoria na eficiência alimentar (Lamendella et al., 2011; Vigors et al., 2016).

A microbiota intestinal desempenha papéis fundamentais na absorção de nutrientes, obtenção de energia e metabolismo de carboidratos (Greenblum et al., 2012). Ao fazer comparações entre microbiota e eficiência alimentar, Singh et al. (2014), relataram uma associação positiva entre a diversidade da microbiota intestinal e a eficiência alimentar. 

Enzimas metabólicas microbianas degradam polissacarídeos dietéticos mais complexos,  que não podem ser digeridos pelo hospedeiro. Elas “quebram” esses componentes em ácidos graxos de cadeia curta, contribuindo para uma melhora no aproveitamento do alimento e, consequentemente, na conversão alimentar (Turnbaugh et al., 2006). Já o microbioma na extremidade distal do trato intestinal contém grupos de bactérias relacionadas à síntese de aminoácidos essenciais e vitaminas (Delzenne e Cani, 2011).

Um estudo realizado por Yang et al. (2007) associou a microbiota intestinal com a eficiência alimentar em 280 animais. Os autores concluíram que a microbiota pode melhorar a eficiência alimentar dos suínos por meio da promoção da saúde intestinal e pelos ácidos graxos de cadeia curta, produzidos pela fermentação de polissacarídeos dietéticos.

O conceito de saúde intestinal também está relacionado com a ausência de patógenos que causam danos à integridade intestinal, como a Lawsonia intracellularis. Portanto, o controle dessas bactérias é uma ferramenta na manutenção da saúde intestinal e que pode melhorar a eficiência alimentar. 

Referências 

Delzenne, N. M., and Cani, P. D. (2011). Interaction between obesity and the gut microbiota: relevance in nutrition. Annu. Rev. Nutr. 31, 15–31

Greenblum, S., Turnbaugh, P. J., and Borenstein, E. (2012). Metagenomic systems biology of the human gut microbiome reveals topological shifts associated with obesity and inflammatory bowel disease. Proc. Natl. Acad. Sci. U.S.A. 109, 594–599. 

Lamendella, R., Domingo, J. W., Ghosh, S., Martinson, J., and Oerther, D. B. (2011). Comparative fecal metagenomics unveils unique functional capacity of the swine gut. BMC Microbiol. 11:103. 

Singh, K.M., Shah, T.M., Reddy, B. et al. Taxonomic and gene-centric metagenomics of the fecal microbiome of low and high feed conversion ratio (FCR) broilers. J Appl Genetics 55, 145–154 (2014).

Turnbaugh, P. J., Ley, R. E., Mahowald, M. A., Magrini, V., Mardis, E. R., and Gordon, J. I. (2006). An obesity-associated gut microbiome with increased capacity for energy harvest. Nature 444, 1027–1031. 

Vigors, S., Sweeney, T., O’shea, C. J., Kelly, A. K., and O’doherty, J. (2016). Pigs that are divergent in feed efficiency, differ in intestinal enzyme and nutrient transporter gene expression, nutrient digestibility and microbial activity. Animal 10, 1848–1855.

Yang H, Huang X, Fang S, He M, Zhao Y, Wu Z, Yang M, Zhang Z, Chen C and Huang L (2017). Unraveling the Fecal Microbiota and Metagenomic Functional Capacity Associated with Feed Efficiency in Pigs. Front. Microbiol. 8:1555.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *