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Importância do Colostro para a Suinocultura

A suinocultura moderna está em constante mudanças e adaptações e, ultimamente, tem se discutido muito o uso prudente de antimicrobianos. Fica evidente que, para conseguirmos reduzir o uso de antibióticos na produção de suínos, é necessário focar nossos esforços em manejos básicos nos primeiros dias de vida do leitão. Dentre esses manejos básicos, o entendimento do impacto do manejo de colostro na sobrevivência e saúde dos leitões é unanimidade entre os especialistas da suinocultura. 

O colostro é a primeira secreção produzida pela glândula mamária da fêmea após o parto, sendo a principal fonte de proteção imunológica do leitão (Rooke & Bland, 2002). Além de fornecer nutrientes como proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas e minerais (Darragh & Moughan, 1998), o colostro auxilia na termorregulação (Herpin et al., 2002) e acelera o crescimento e a maturação intestinal através de fatores de crescimento (IGF1, IGF2 e EGF) (Xu et al., 2000). A fêmea suína possui a placenta do tipo epiteliocorial difusa, o que impede a passagem de imunoglobulinas para o leitão durante a gestação. Sendo assim, o leitão nasce sem anticorpos maternos e precisa ingerir colostro em quantidade e qualidade adequada. 

A maioria dos trabalhos que mensuram a produção de colostro das fêmeas suínas considera para o cálculo as primeiras 24 horas após o início do parto. Porém, a quantidade de imunoglobulina G (IgG) no colostro diminui rapidamente nas primeiras horas após o parto, apresentando uma queda de 30% em até 6 horas após o nascimento do primeiro leitão (Klobasa et al., 1987). Além da significativa redução nas primeiras 24 horas após o parto, a máxima absorção de imunoglobulinas ocorre nas primeiras 12 horas de vida, chegando a valores nulos em 24 a 36 horas (Machado Neto et al., 1987; Rooke et al., 2003). Desta forma, o leitão deve ingerir colostro logo após o nascimento para que obtenha um colostro com maior quantidade de IgG e para que ele fique menos tempo exposto aos desafios ambientais sem a devida proteção.

O peso ao nascer e a ingestão de colostro exercem grande influência na sobrevivência e desempenho dos leitões ao longo da vida (Devillers et al., 2011; Panzardi et al., 2013). De acordo com Devillers et al. (2011), a ingestão de 200g de colostro entre o nascimento e 24 horas de vida é a quantidade mínima necessária para garantir a sobrevivência do leitão. Além disso, estes autores demonstraram que quanto maior a quantidade de colostro ingerida pelo leitão, melhor será o seu desempenho subsequente (Figura 1). Um estudo conduzido no Brasil (Ferrari et al., 2014) demonstrou que existe uma interação entre peso e consumo de colostro, no qual, leitões classificados como leves (1,0-1,2 kg) e que consumiram menos que 250 gramas de colostro tiveram maior probabilidade de morrer até os 42 dias que leitões considerados pesados (>1,3 kg). No entanto, quando esses leitões leves consumiram mais de 250 gramas de colostro, o percentual de mortalidade não diferiu dos leitões intermediários e pesados até os 42 dias. 

As evidências da importância do colostro na saúde e sobrevivência do leitão só aumentam ao longo do tempo. Com a adoção de novas políticas de uso prudente de antimicrobianos, a saúde do leitão durante o período de lactação e ao desmame é crucial no seu desempenho subsequente. Realizar um correto manejo de colostro precisa ser a prioridade número 1 nas granjas e tudo começa garantido uma rápida ingestão (<12h pós parto) e uma quantidade mínima de colostro (>250g/leitão).

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Figura 1: Influência da ingestão de colostro durante as primeiras 24 horas de vida no crescimento dos leitões até 42 dias de vida.

Fonte: Adaptado de Devillers et al., 2011.

Referências

DEVILLERS, N; LE DIVIDICH, J; PRUNIER, A. Influence of colostrum intake on piglet survival and immunity. Animal. 5:10, 1605-1612, 2011.

FERRARI, C.V.; SBARDELLA, P.E.; BERNARDI, M.L.; COUTINHO M.L.; VAZ Jr I.S.; WENTZ I.; BORTOLOZZO, F.P. Effect of birth weight and colostrum intake on mortality and performance of piglets after cross-fostering in sows of different parities. Preventive Veterinary medicine. 2014; 114 (3-4); 259-66.

HERPIN, P; DAMON, M; LE DIVIDICH, J. Development of thermoregulation and neonatal survival in pigs. Livestock Production Science. 78, 25–45, 2002.

KLOBASA, F; WERHNHN, E; BUTLER, J.E. Composition of Sow Milk During Lactation. Journal Animal Science. 64, 1458-1466, 1987.

MACHADO-NETO, R; GRAVES, C.N; CURTIS, S.E. Immunoglobulins in piglets from sows heat-stressed prepartum. Journal Animal Science. 65, 445-455, 1987.

PANZARDI, A; BERNARDI, M.L; MELLAGI, A.P; BIERHALS, T; BORTOLOZZO, F.P; WENTZ, I. Newborn piglet traits associated with survival and growth performance until weaning. PREVET, v. 110, p. 206-213, 2012.

ROOKE, J.A; BLAND, I.M. The acquisition of passive immunity in the new-born piglet. Livestock Production Science. 78, 13-23, 2002.

ROOKE, J.A; CARRANCA, C; BLAND, I.M; SINCLAIR, A.G; EWEN, M; BLAND, V.C; EDWARDS, S.A. Relationship between passive absorption of immunoglobulin G by the piglet and plasma concentrations of immunoglobulin G at weaning. Livestock Production Science, v. 81, p. 223-234, 2003.

XU, R.J.; WANG, F.; ZHANG, S.H. Postnatal adaptation of the gastrointestinal tract in neonatal pigs: a possible role of milk-borne growth factors. Livestock Production Science, v. 66, p. 95-107, 2000.

EM-BR-21-0095

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