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O tamanho do leitão influencia no desenvolvimento da anemia ferropriva?

Os suínos nascem com reservas de ferro limitadas e o leite da porca fornece quantidade pequena de ferro por dia, não sendo uma fonte suficiente para atender a demanda do leitão. Esta quantidade não é suficiente para suportar o rápido crescimento e expansão do volume sanguíneo durante os primeiros dias após o nascimento.

Os estoques de ferro em leitões maiores, mesmo após a sua administração nos primeiros dias de vida, podem se esgotar por volta do desmame, período crítico para o desenvolvimento de deficiência de ferro e anemia. Um estudo demonstrou que a hemoglobina e o hematócrito eram significativamente mais baixos aos 17 dias de idade em leitões mais pesados ​​e de crescimento rápido, do que em leitões mais leves, que foram injetados com 200 mg de ferro ao nascer (Jolliff et al., 2011).

Outro estudo realizado por Bhattarai (2015), constatou que os níveis de hemoglobina no sangue (Hb) não diferiram significativamente quando comparados com os demais tamanhos de leitões. No entanto, outros indicadores como o da eritropoiese, diferiram nos leitões grandes em comparação com as demais categorias de tamanho. Quando utilizamos somente os parâmetros dos níveis de Hb para indicar os níveis de ferro no organismo, os estágios iniciais da deficiência de ferro podem ser ignorados. De acordo com  Hastka et al. (1994), existem três estágios da deficiência de ferro. No primeiro, há uma diminuição de ferro corporal total, porém a eritropoiese e a síntese de Hb não são afetadas. No segundo estágio, a quantidade de suprimento de ferro é inadequada para a medula óssea eritropoiética, mas a síntese de Hb ainda não é afetada. No terceiro estágio, o suprimento de ferro é insuficiente para manter uma concentração normal de Hb. Provavelmente, os leitões maiores presentes no estudo, se encontravam no segundo estágio de deficiência de ferro, não podendo ser notado somente com as indicações dos níveis de Hb.

Tratando-se das análises hematológicas, durante a deficiência de ferro, o ferro sérico diminui e logo há um aumento na capacidade total de ligação ao ferro (TIBC), resultando em baixos valores de saturação de tranferina (TfS). De acordo com Bhattarai (2015), leitões maiores apresentaram ferro sérico menor, TIBC mais alta e TfS mais baixa quando comparado com leitões pequenos, o que provavelmente reflete maior risco de deficiência de ferro em leitões grandes. Bhattarai (2015) também observou que leitões grandes tinham largura de distribuição de glóbulos vermelhos (RDW) e largura de distribuição de glóbulos vermelhos de reticulócitos maiores em comparação aos leitões menores. A largura de distribuição dos eritrócitos dos reticulócitos mede a variação no tamanho das hemácias (Thorn, 2010) e é considerada um dos parâmetros confiáveis ​​que indicam deficiência de ferro, pois o RDW aumenta durante a deficiência de ferro (McClure et al., 1985).

Levando em consideração os vários fatores de risco para o desenvolvimento de anemia em leitões, a administração de ferro é, sem dúvidas, um dos pontos críticos para o crescimento de leitões saudáveis e do seu desempenho subsequente durante o período de creche. E quando bem administrado, minimiza os riscos dos prejuízos da doença a campo, além de otimizar a performance dos leitões.

Referências

Bhattarai S, Nielsen JP. Early indicators of iron deficiency in large piglets at weaning. J Swine Health Prod. 2015;23(1):10–17.

Jolliff JS, Mahan DC. Effect of injected and dietary iron in young pigs on blood hematology and postnatal pig growth performance. J Anim Sci. 2011;89:4068–4080.

McClure S, Custer E, Bessman JD. Improved detection of early iron deficiency in nonanemic subjects. JAMA. 1985;253:1021–1023.

Thorn CE. Hematology of the pig. In: Weiss DJ, Wardrop JK, eds. Schalm’s Veterinary Hematology. 6th ed. Ames, Iowa: Wiley-Blackwell; 2010:843.

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