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Onfalites e abscessos – Caso Clínico

Realizou-se uma visita técnica em uma granja terminadora de leitões. A instalação tinha capacidade para alojar 1000 animais, os quais eram recebidos com aproximadamente 70 dias de idade, com peso médio de 27kg. Todos os leitões tinham a mesma origem e eram alojados no sistema todos dentro todos fora. A granja apresentava um histórico de condenação de carcaça no frigorífico associada a abscessos musculares, subcutâneos e eventualmente a aderências na cavidade abdominal. Os leitões eram vacinados ao desmame para controle de Mycoplasma hyopneumoniae e PCV2. De acordo com o depoimento dos funcionários, os animais não apresentavam reações a aplicação de vacinas ou medicamentos injetáveis.

No dia da visita, foi feita necrópsia de leitão de recria com claudicação severa associada a aumento de volume na região da escápula direita, apresentando ainda redução de condição corporal e palidez intensa. A eutanásia foi realizada seguindo as normas estabelecidas para a espécie. As lesões no membro estavam localizadas na musculatura, eram firmes, encapsuladas e ao corte havia presença de exsudato amarelado e de consistência granulomatosa, características compatíveis com abscesso. A abertura da cavidade abdominal revelou múltiplos abscessos sobre as vísceras e a presença de aderências na cavidade. No exame do estômago, identificou-se área bem delimitada de perda de continuidade da mucosa, deprimida, com bordas regulares e presença de sangue. Essa lesão em associação com a perda de condição corporal, sugerem que o animal havia parado de se alimentar, provavelmente devido a lesão no membro.  Foi possível observar um abscesso na região umbilical, sugerindo o umbigo como sítio primário de infecção. As lesões também eram compatíveis com as observadas no frigorífico.

O veterinário decidiu investigar mais profundamente a origem das onfalites, estendendo sua visita ao sítio de maternidade. Examinando o umbigo de leitões de várias leitegadas diferentes e após a realização de uma necrópsia, foi possível quantificar cerca de 10% de incidência de onfalites, sendo que alguns desses leitões também apresentavam artrite purulenta. Observando o manejo do leitão ao nascer, o veterinário percebeu que os procedimentos de cura e corte de umbigos não eram realizados, predispondo portanto, os leitões a desenvolverem onfalites com consequente formação de abscessos.

Foram feitos swabs do conteúdo dos abscessos e o material foi enviado ao laboratório sob refrigeração. O exame bacteriológico mostrou crescimento de colônias de Trueperella pyogenes, uma bactéria gram positiva, pleomórifca e oportunista, exigindo lesão prévia nos tecidos para que se multiplique. Ferimentos de castração, corte de cauda,  canibalismo são alguns fatores que predispões a disseminação da bactéria via linfatica ou sanguínea. No caso das onfalites, as bactérias do ambiente e as presentes na microbiota normal do suíno usam as artérias, as veias e o úraco como vias de disseminação para diversos locais do organismo, formando abscessos e até causando quadros de septicemia. O controle das onfalites pode ser feito por meio de corte e cura de umbigo, associados a um programa de limpeza e desinfecção eficientes.

Referências

Araújo A.O.W. 2004. Abscessos pulmonares em suínos abatidos industrialmente: bacteriologia, anatomopatologia e relação entre portas de entrada e lesões macroscópicas. 86f. Porto Alegre, RS. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias) – Programa de Pós Graduação em Ciências Veterinárias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

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