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Produção de suínos de primeiro mundo: existe uma arma secreta?

Se você perguntar a qualquer criador de suínos para declarar seus objetivos, eu aposto que, dentre eles, você sempre vai ouvir a versão “Atingir uma produção de suínos de primeiro mundo”. A definição de produção de primeiro mundo provavelmente varia, e poderia facilmente ser discutida e debatida por horas. Eu acredito, no entanto, que se você expuser a eles uma produção que atinge consistentemente 10.000 lbs de peso vivo de leitão vendido, por fêmea, por ano, cada um deles iria rotular essa granja como sendo “produção de primeira classe”. Essa fazenda traria inveja para a maioria das granjas de suínos do mundo.

Eu posso lhe dizer que esse tipo de operação existe sim. Então agora, isso levanta a questão – como eles são capazes de atingir esse nível de produção? Eles conseguiram em algum momento encontrar o ponto chave que faz matrizes produtivas e leitões que prosperam do nascimento até se tornarem pesados. E se há um ponto chave, ele poderia ser duplicado e utilizado em outras granjas?

Eu realmente acredito que há um ponto chave, e ele é o trabalho em equipe realizado pelas pessoas envolvidas com a produção. Esse não é um grande segredo. É de conhecimento geral em nossa indústria que pessoas o ponto chave na determinação de altos níveis de produtividade alcançados em granjas de suínos. Mas o que eu continuo percebendo é que há um pequeno consenso sobre o que significa dizer “trabalho em equipe” ou “as pessoas”. Isso deixa proprietários e gerentes em situação de perda quando tentam seguir o modelo de equipes que estão atingindo bons resultados. A equipe está alcançando ótimos resultados porque tem um bom gerente? Ou porque o gerente contratou bons funcionários? Ou quem sabe é porque o programa de treinamento que os novos empregados receberam é melhor do que aquele recebido em granjas de menor produtividade? Todas estas variáveis são importantes, mas quando abordamos a “equação de pessoal” eu acredito que haja algo mais importante que é frequentemente deixado de lado.

Essa parte que esta faltando é o engajamento emocional. Nós precisamos nos dar conta que conseguir empregados que se importem em cuidar de suínos é mais complexo do que simplesmente promover uma formação educacional sobre condições bem estar que os animais necessitam e dizer a eles o que é certo ou errado. De fato, se a educação fosse a única solução, então problemas como o fumo ou consumo excessivo de açúcar (que pode levar a diabetes) poderiam ser rapidamente solucionados ao informar as pessoas que este tipo de comportamento é perigoso e pode resultar em prejuízos às suas saúdes.

A minha opinião é de que o caminho para a mudança comportamental se da através do aspecto emocional das pessoas. Em outras palavras, quando pessoas (empregados) são afetadas emocionalmente, ao invés de intelectualmente, há uma grande chance de que o comportamento almejado (cuidar de leitões) sejam implementados. Como isso poderia ser feito? Eu acredito que precisamos nos dar conta que pessoas vão cuidar apropriadamente dos animais quando eles se sentirem emocionalmente engajados no processo. Entretanto, tendo uma visão geral da indústria, empregados não costumam ser ligados emocionalmente com seus trabalhos, com estatísticas mostrando que menos de 20% deles são. Isso é muito desanimador quando você considera que trabalhadores emocionalmente envolvidos são o elemento central para o sucesso de um empreendimento. Então o que causaria trabalhadores na área de produção de suínos emocionalmente envolvidos? Correndo o risco de tornar a discussão muito simplificada eu gostaria de introduzir um diagrama listado abaixo:

O ciclo começa no topo com o proprietário, que por suas ações, demonstra o quanto ele se importa para os supervisores de sua empresa. Esse cuidado é então passado verticalmente pelos supervisores para seus gerentes. Estes gerentes, engajados e motivados por seus supervisores, repetem esse comportamento com os empregados e estes se tornam engajados emocionalmente nas suas atividades na maternidade da granja.  A produção de suínos prospera a partir desse comportamento de se importar. Uma vez que os objetivos são alcançados, as respostas financeiras virão e isso irá sustentar o ciclo novamente.

Eu acredito que este modelo irá resultar em um cuidado apropriado com suínos. Infelizmente, parece que essa mensagem que ouvimos comumente é que necessitamos focar apenas nos empregados. Quando na realidade necessitamos da ação dos proprietários, supervisores e gerentes, já que são estes que determinam se o cuidado ocorrerá. Isso é, infelizmente, uma colocação controversa porque assumimos que se temos problemas de comportamento no nível de empregados, eles estão na verdade sendo perpetuados por comportamentos inapropriados no topo da organização. Qualquer estudo de liderança revelaria que se você almeja fazer mudanças você precisa trabalhar com seus líderes e não com os subordinados. É minha opinião que, como indústria, temos gastado muito tempo e energia focando em mudanças no nível dos funcionários e não fazendo mudanças no nível de no nível mais alto da hierarquia, fazendo então com que o ciclo anteriormente citado seja iniciado. Aqueles que detêm a propriedade são os mais responsáveis por criar o sucesso. É pela ação deles, através do balanço entre instalações adequadas e encontrar as necessidades em nível motivacional de seus empregados, que eles criarão uma organização capaz de se tornar primeira classe. No final do dia, se existe uma arma secreta, ela necessita ser focada no nível do proprietário.

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