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Qual a chave para um bom diagnóstico em suinocultura?

Independente da suinocultura estar cada vez mais tecnificada, cumprindo com os principais requisitos para uma boa biosseguridade com constante melhoramento genético, nutricional, e bons manejos, os desafios sanitários estão presentes, sendo eles constantes, em maior ou menor proporção. Por este motivo, as pessoas que lidam diretamente com eles precisam ter visão holística e olho clínico no intuito de notarem o sinal mais sutil de que algo não esteja indo bem para que lancem mão de ações rápidas com o objetivo de minimizar os sinais clínicos mais severos que possa disseminar para um número maior de animais e com isso, levando a prejuízos ainda maiores.

Em decorrência disso, uma boa seleção de animais para amostragem é primordial e o principal passo a ser realizado, uma vez que uma boa amostra selecionada e colhida faz com que o resultado tenda a ser mais assertivo e com maior acurácia de resolução. Entretanto, por mais que esta etapa pareça ser fácil, muitos acabam se equivocando em função de não seguir alguns passos iniciais importantes para que consiga direcionar o tipo de material de acordo com a suspeita em questão. Com isso acabam, em muitas vezes, selecionando animais cujo sinais clínicos já estão relacionados a quadros mais crônicos, leitões já medicados, o que interfere e pode levar a interpretações e definições de tratamento não adequados.

Para isso é importante que sejam seguidos alguns passos simples, mas que são fundamentais para que sejam evitados possíveis erros.

O primeiro passo a ser realizado é que o veterinário, técnico responsável pela granja tenha conhecimento dos resultados zootécnicos, quais os principais desafios que a granja possui, e que faça uma análise dos dados zootécnicos para verificar qual fase de produção durante a ação técnica ele deverá dar mais atenção, uma ressalva importante para esse passo, pois nem sempre o local de desafio possa ser a origem dele. Essa anamnese deve incluir sistema de produção, protocolo de vacinação, entre outros dados que permitam que com essas informações possa ser associado ao problema relatado na granja, como por exemplo, idade, sinais clínicos, taxa de morbidade/mortalidade e o manejo sanitário da granja para elaborar a suspeita clínica.

Depois desta análise prévia, como o segundo passo, parte-se para dentro da granja para verificar as diferentes fases de produção de uma maneira mais macro, onde deve ser observado todos os pontos na tentativa de identificar qual o melhor momento para a realização desta coleta. Inicialmente observa-se a granja, o galpão como um todo, no intuito de realizar uma observação mais macro de população, posteriormente a isso, inicia-se uma observação mais convergente/focada, onde há a observação mais detalhada das baias. À medida em que essa análise é realizada, parte-se para uma observação mais do indivíduo, trazendo uma visão de qual ou quais as principais suspeitas para aí sim determinar a amostragem a ser definida para o diagnóstico.

A seleção dos animais requer cuidados e observação minuciosa de quais animais deverão compor esta amostragem, seja ela para uma simples coleta de fezes, sangue, suabe, fluido oral bem como para a realização de necropsia. Esta fase de observação se trata de um dos momentos mais importantes, e que deve ser dispendido o maior tempo quanto possível, pois uma seleção bem feita é a garantia de uma amostragem de qualidade e, consequentemente, resultados mais assertivos.

Como o terceiro passo, e último neste processo, está relacionado à coleta propriamente dita do material, a qual não menos importante, é fundamental que seja realizada de maneira correta para garantir um bom resultado também, pois de nada importa selecionar bem os animais e realizar uma coleta inadequada. Para isso, pode-se pensar em alguns aspectos como o de manipular o mínimo possível amostras para bacteriologia, antibiograma e histopatologia, para evitar respectivamente a contaminação por agentes comensais/oportunistas e gerar artefatos e consequentemente mascarando resultados corretos. Já quando pensamos em coletas para análises moleculares, é muito importante sabermos a técnica, bem como o tipo de material, e armazenamento para que seja possível coletar a melhor amostra, com o tipo correto de material e evitar a degradação do material genético

Alguns dos equívocos mais comuns na coleta de material para diagnóstico são representados pela coleta de material em animais que estavam sendo ou foram medicados há pouco tempo via ração e/ou água ou injetável (há menos de 7 a 10 dias) com o objetivo de realizar isolamento bacteriano, o que pode mascarar os resultados. Além disso, outro erro muito comum é o de selecionar animais refugos para coleta de amostras variadas e/ou necropsia, em que isola-se somente o agente secundário e/ou agentes oportunistas , sem que haja a possibilidade de identificação do agente primário causador do quadro clínico, e na histopatologia a observação de lesões mascaradas por cicatrizes ou regeneração, ao invés da lesão inicial.

O animal a ser selecionado de maneira correta deve apresentar bom estado físico, ou seja, um leitão bonito, mas com a presença de sinais clínicos típicos de fase aguda, com no máximo uma semana de sinal clínico, de preferência animais com quadro febril, pois indica viremia e/ou bacteremia, facilitando a identificação do agente em questão. Não deve ter sido submetido a tratamento com antimicrobianos em se pensando em análise bacteriológica e/,ou antibiograma, pois pode mascarar o agente primário, e em hipótese alguma ser um animal refugo, com características de doença crônica, garantindo assim que os resultados sejam os mais fidedignos quanto possível.,

Levando em consideração todos esses aspectos, certamente o produtor, o patologista e o veterinário responsável terão maior chance de sucesso no diagnóstico e consequentemente no tratamento evitando perdas muito expressivas.

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