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Salmonelose: qual o impacto na cadeia de produção de suínos?

A Salmonella spp. faz parte do grupo de patógenos capazes de causar doença entérica em suínos. Apesar de ser endêmica na maior parte das granjas e fazer parte da microbiota intestinal dos animais, sem causar doença clínica, alguns sorovares podem levar ao aparecimento de sinais clínicos (Griffith et al., 2019). No Brasil, os principais sorovares circulantes são  Salmonella Typhimurium, S. Derby, S. Brandenburg e S. Panama, sendo apenas o primeiro capaz de causar doença clínica (dos Santos et al., 2019; Rodrigues et al., 2020).

Além da S. Typhimurium, que causa enterocolite e leva a uma diarreia aquosa e amarelada, febre, inapetência e desidratação, a S. Typhimurium monofásica gera sinais clínicos semelhantes e a S. Choleraesuis causa septicemia em leitões desmamados (Griffith et al., 2019). A ocorrência de infecções entéricas têm um impacto econômico negativo para as criações, associado a redução de ganho de peso, mortalidade e custos com antibióticos (Viott et al., 2013). 

Os surtos ocorrem mais em leitões na fase de creche, associados aos desafios e estresse típicos da fase, mas a infecção de animais adultos e na fase de maternidade é bastante frequente (Griffith et al., 2019). Na maternidade, a imunidade lactogênica ajuda na proteção contra o desenvolvimento de sinais clínicos, pois a vacinação das fêmeas durante o terço final da gestação é capaz de reduzir a prevalência de Salmonella na progênie em todas as fases de criação em granjas de ciclo completo (Smith et al., 2017). Entretanto, a melhor estratégia para o controle da bactéria nas granjas inclui também a vacinação de leitões, de preferência com vacinas vivas atenuadas, associada à limpeza e desinfecção das instalações, para reduzir a carga bacteriana ambiental (Smith et al., 2017; Wales & Davies, 2016; Ostanello et al., 2020).

Assim, o controle da expressão da salmonelose na granja se sustenta em esforços capazes de aumentar a resistência dos animais, reduzir as doses de infecção e minimizar fatores estressantes para os leitões, principalmente na fase de creche. Com a adoção conjunta dessas medidas, é possível mitigar os possíveis efeitos negativos da doença sobre a rentabilidade da granja.