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Caso clínico: Actinobacillus suis

Um médico veterinário foi solicitado a realizar atendimento em uma granja de ciclo completo, a qual apresentava elevado status sanitário. O objetivo da visita foi investigar o aumento da mortalidade de suínos em crescimento com 70 dias de idade. Na ocasião, os funcionários também se queixaram dos sinais respiratórios severos manifestados pelos animais, além da incidência alta de suínos com orelhas intensamente avermelhadas. O tratamento com medicação injetável foi realizado, no entanto, os resultados não foram satisfatórios e aqueles leitões que se recuperavam, em geral, apresentavam desenvolvimento baixo ou tornavam-se refugos. 

Como os dados clínicos não eram específicos, o veterinário selecionou quatro suínos não medicados e severamente afetados para a realização da necrópsia. Nos pulmões, observou-se áreas de consolidação de aspecto hemorrágico com múltiplos focos de necrose, além de intensa inflamação da pleura com pontos de hemorragia e também intensa formação de pus. Fragmentos dos órgãos lesionados foram fixados em formol para a realização do exame histopatológico. Adicionalmente, foram coletados de forma asséptica, swabs de pleura, pulmão e brônquios para exame bacteriológico, sendo enviados para o laboratório sob refrigeração. No exame histopatológico dos pulmões, observou-se áreas multifocais de necrose e hemorragia, as quais eram circundadas por intensa quantidade de leucócitos. Os resultados do isolamento bacteriano em ágar sangue revelaram o crescimento de colônias amarelas e pálidas, circundadas por um halo de beta hemólise. Os resultados histopatológicos e bacteriológicos foram compatíveis com a infecção por Actinobacillus suis. O veterinário também solicitou que fosse realizado o teste de antimicrobiograma com a cepa isolada, no intuito de verificar a sensibilidade do A. suis diante de alguns antimicrobianos.

Os surtos de infecção por A. suis ocorrem, geralmente, em rebanhos com bom status sanitário, devido a deficiência de imunidade específica dos animais contra o agente. A doença pode ser introduzida na granja por portadores assintomáticos, característica epidemiológica que reforça a importância da realização da quarentena e das análises laboratoriais dos animais de reposição. Os sinais clínicos e lesões provocados pelo A. suis são muito semelhantes às causadas pela pleuropneumonia suína, exigindo exames bacteriológicos para o diagnóstico final. Quando há sinais clínicos compatíveis com doenças septicêmicas (cianose de extremidades, por exemplo), é necessário realizar o diagnóstico diferencial com outras enfermidades septicêmicas, como a erisipela, a salmonelose e no caso das regiões endêmicas, com o vírus da Peste Suína Clássica.

Neste caso clínico, observou-se ineficácia no tratamento da enfermidade, fato que exigiu que o médico veterinário solicitasse a realização do antimicrobiograma, um teste que testou a eficiência de determinados antimicrobianos diante da cepa que causou problemas na granja. A realização desse teste é extremamente importante, pois a partir dos resultados, é possível direcionar um tratamento mais assertivo e consciente, diminuindo perdas econômicas relacionadas a mortalidade, redução de desempenho e alto uso de medicamentos. 

Fotos: Jessica dos Santos

Referências Bibliográficas:

Santos, J.S.; Sobestiansky, J.; Santos, L.; Actinobacilose. Sobestiansky, J.; Barcellos, D. Doenças dos Suínos. 2. ed.Canone. Goiania, 2012 p. 135-140.

Wilson, R.J., Mcorist, S. Actinobacillus suis infection in pigs in Australia. Aust Vet J Vol 78, No 5, May 2000, p. 317-319.

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