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Caso clínico – Epidermite exsudativa

Este caso clínico foi reportado de uma granja de ciclo completo, que começou a registrar aumento de mortalidade e redução de desempenho em leitões de maternidade. De acordo com o histórico, as manifestações iniciais consistiram em diarreia, apatia e modificação na coloração da pele. Com a evolução do quadro, observou-se aglomeração dos leitões nas baias e o aparecimento de vesículas ao redor dos olhos e na face externa das orelhas. Rapidamente, essa lesão se alastrava para o restante da face, áreas laterais do tronco, abdome e face interna das pernas. As vesículas iniciais rompiam, resultando em exsudação e hiperemia da região, com formação de crostas marrom escuras. Os leitões apresentavam um aspecto gorduroso e o odor foi descrito como fétido e rançoso. Durante o período de formação das lesões, os animais também apresentaram abatimento, anorexia, claudicação (devido ao comprometimento dos cascos), desidratação e perda de peso.

Nem todos os leitões da leitegada eram afetados na mesma intensidade, mas a morbidade e a mortalidade, no período do surto, alcançaram taxas de 20 e 10%, respectivamente. Não foram observados sinais clínicos ou lesões nas porcas e leitoas.

As características do caso eram compatíveis com uma forma de dermatite seborreica, conhecida como epidermite exsudativa, causada pela bactéria Staphylococcus hyicus. A hipótese também era fortalecida pelas condições deficientes de higiene das instalações, um fator de risco importante para o desenvolvimento da doença. A não realização de antissepsia do umbigo após o parto e as lesões causadas pelas feridas de castração, constituíam-se nas principais portas de entrada para o agente nos leitões desse rebanho.

Neste caso clínico, o diagnóstico baseou-se apenas nas características clínicas da doença, mas a confirmação é realizada pelo exame bacteriológico de suabes de pele lesionada. O S. hyicus é uma bactéria gram-positiva, de crescimento aeróbico, apresentando reação negativa para oxidase e teste de Voges-Proskauer, podendo apresentar tanto reação positiva, quanto negativa para p teste da coagulase. Também apresenta reação positiva para fosfatase, nitrato, arginina, ureia e protease. Os diagnósticos diferenciais incluem varíola suína, sarna, micoses, pitiríase rósea, deficiência de zinco, dermatose vegetante e ferimentos.

Os protocolos de controle recomendados para esse sistema consistiram, basicamente, na ação combinada de medidas medicamentosas e sanitárias. O tratamento com antibióticos deve ser feito com antibióticos e administrado nos estágios iniciais da doença. Geralmente, o S. hyicus é sensível aos betalactâmicos e aos macrolídeos, mas um antibiograma é recomendado no caso de respostas insatisfatórias ao tratamento. Animais nas fases mais severas da doença não respondem aos antibióticos com eficiência. A melhor forma de controlar a epidermite exsudativa é adotar protocolos rigorosos de higiene para as instalações. Além disso, procedimentos como corte de cauda, corte de dente e práticas cirúrgicas devem ser realizadas com cuidado e antissepsia, por indivíduos previamente treinados.

Foto 1: Claiton

Foto 2 e 3: Elisa De Conti

Foto 4: Michelle Gabardo

Foto 5 e 6: Thairê Maróstica

Referências bibliográficas

Barcellos, D., Alberton, G. C.,  Sobestiansky, J., Donin, D. G., Carvalho, L. F. O. S., Morés, N. Doenças de pele. Sobestiansky, J.; Barcellos, D. Doenças dos Suínos. 2. Ed. Canone. Goiânia, 2012 p. 475-8479. 

Ferrasso, M. M., Gonzalez., H.L., Timm, C. D. Staphylococcus hyicus. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.82, 1-6, 2015.

Motta, A.P. Epidermite exsudativa em suínos: caracterização da doença e dinâmica de infecção. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) – Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2012.

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