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Caso clínico – Streptococcus suis

Este caso clínico foi reportado de um sistema de produção do tipo sítio 2 (creche), que começou a registrar aumento de mortalidade em leitões com 5 semanas de idade. De acordo com o histórico, as manifestações iniciais consistiram em perda de apetite, apatia, febre, hiperemia de pele, temores musculares, apatia, incoordenação, perda do equilíbrio, movimentos de pedalagem e convulsões. A morte dos leitões, geralmente, ocorria partir de quatro horas após o início dos sinais clínicos.

A necropsia de alguns animais foi realizada e, de modo geral, observou-se hiperemia, linfonodos congestos, peritonite purulenta, meningite purulenta e endocardite vegetante. Fragmentos dos órgãos lesionados foram fixados em formol para a realização do exame histopatológico. Adicionalmente, foram coletados de forma asséptica, suabes de coração, pleura, meninge, pulmão, peritônio e articulações para exame bacteriológico, sendo enviados para o laboratório em meio de cultura, sob refrigeração. A principal suspeita era a infecção por Streptococcus suis, mas o veterinário não descartou outros agentes, como o Mycoplasma sp., Erisipela rhusiopathiae, Haemophilus parasuis e Pasteurella multocida.

As principais lesões microscópicas observadas consistiram em exsudação de fibrina e infiltração de neutrófilos nas meninges. No isolamento bacteriano, observou-se crescimento de colônias alfa-hemolíticas, bastante características do Streptococcus suis, resultado confirmado por testes bioquímicos. Utilizando a técnica de co-aglutinação, as cepas bacterianas foram sorotipificadas, sendo possível defini-las como S. suis sorotipo 2. Esse teste é muito importante quando o objetivo é rastrear o surto e/ou desenvolver vacina autógenas.

Neste rebanho, a superlotação das baias e a mistura de leitões de diversas origens pareciam ser os principais fatores de risco relacionados ao desenvolvimento da doença. O S. suis é um agente relevante para a suinocultura mundial, sendo responsável por causar meningite, septicemia e outras alterações severas, especialmente em leitões desmamados. A bactéria foi classificada em 35 sorotipos diferentes e sua composição genética varia em todo o mundo, fator que dificulta o diagnóstico e epidemiologia. O S. suis também é responsável por provocar doença em seres humanos e em algumas regiões, é uma causa frequente de surtos graves em pessoas expostas a suínos doentes.

Devido ao aumento as restrições ao uso de antibióticos na produção animal, a utilização de vacinas autógenas é, provavelmente, a estratégia mais eficiente para o controle do S. suis nos rebanhos. O vazio sanitário, a nutrição adequada dos animais e a redução de fatores estressantes também são medidas importantes para prevenir o desenvolvimento de surtos.

Barcellos, D., Santos, L. J. Meningite estreptocócica. Sobestiansky, J.; Barcellos, D. Doenças dos Suínos. 2. Ed. Canone. Goiânia, 2012 p. 203-208. 

Foto 1: Jessica dos Santos

Foto: 2 Claiton

Foto 3: Tatiana Fiuza

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