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Termorregulação: Qual a importância da temperatura na sobrevivência do leitão recém-nascido?

A suinocultura tem evoluído rapidamente em muitos parâmetros, dentre eles os reprodutivos. A cada ano que passa, há um incremento significativo no número de leitões nascidos totais e vivos, bem como no número de leitões desmamados/fêmea/ano (Agriness, 2021). Para que seja possível tirar proveito dessa evolução reprodutiva é necessário maximizar a sobrevivência pós-parto. O comportamento materno da fêmea, o ambiente da maternidade e os manejos no momento do parto possuem um grande impacto na sobrevivência dos leitões. Trabalhos mostram que o esmagamento e a fome podem explicar de 50% a 80% da mortalidade pós-natal (Andersen et al., 2005), sendo que 60% a 80% dessas mortes acontecem nos primeiros 3 dias após o parto (Dyck et al., 1987; Marchant et al., 2000).

Quando pensamos na redução desta mortalidade nos primeiros 3 dias após o parto, a manutenção da temperatura corporal dos leitões recém-nascidos é um dos fatores que impactam diretamente este número. Minimizar a redução da temperatura corporal do leitão é um desafio nas granjas, pois a zona de conforto requerida pelos leitões é muito diferente do necessário para as matrizes suínas (Perdomo et al., 1985) e, além disso, o leitão neonato tem uma limitação nas reservas de energia.

Com o intuito de verificar a interferência do peso ao nascer na manutenção da temperatura após o parto, Morés et. al. (2010) aferiram a temperatura retal em 103 leitões em cinco momentos após o parto (na hora do nascimento e 1, 2, 4 e 8 horas após o parto). Os leitões foram divididos em quatro grupos de acordo com o peso de nascimento (Fig. 1). De acordo com os resultados, leitões com menor peso ao nascimento apresentam uma redução mais acentuada de temperatura comparado aos de maior peso, principalmente nas primeiras horas, além de levar mais tempo para conseguir recuperá-la.

Figura 1 – Comportamento da temperatura retal das diferentes classes de peso nas primeiras oito horas de vida 

Fonte: Morés et al. (2010)

Para minimizar a redução da temperatura do leitão logo após o parto são adotados alguns manejos durante esse período, como a secagem do leitão ao nascimento e o oferecimento de fontes de calor na cela de parto. Com objetivo de verificar a importância da secagem e do aquecimento dos leitões no período neonatal, um estudo comparou três diferentes grupos: leitegadas com partos não supervisionados, leitegadas onde os leitões foram colocados sob uma fonte de calor (lâmpada) após o nascimento e um terceiro grupo onde os leitões foram secados ao nascer e colocados imediatamente abaixo de uma fonte de calor. A mortalidade neonatal dos leitões foi fortemente reduzida quando eles foram colocados sob uma fonte de aquecimento ou quando eles foram submetidos a secagem e imediatamente colocados sob uma lâmpada de aquecimento comparado ao grupo controle. Além disso, a associação da secagem do leitão com a colocação abaixo da lâmpada resultou em menos leitões mortos por esmagamento (47,9% – sem supervisão; 34,8% – colocados abaixo da lâmpada; 13,8% – secagem + colocados abaixo da lâmpada) (Andersen et al., 2009). Esses resultados demonstram a importância da temperatura para o leitão recém-nascido e, reforça que a secagem do leitão ao nascer é crucial para sua sobrevivência nos primeiros dias de vida.

A secagem dos leitões após o parto pode ser realizada através do uso de pó secante ou com auxílio de maravalha, papel toalha, papel picado, entre outros. Todas essas fontes são melhores que não realizar a secagem do leitão, porém o uso de pó-secante facilita o manejo e acelera o processo de secagem dos leitões. Um trabalho que comparou o uso de papel toalha, pó-secante e um grupo controle sem secagem, demonstrou que ambos os métodos de secagem foram melhores que o grupo controle (não secar). No entanto, o pó secante acelerou a recuperação da temperatura após o nascimento dos leitões mais leves, se mostrando mais efetivo em reduzir a queda de temperatura dos leitões com baixo peso ao nascer (Vande Pol et al., 2020). Outra vantagem do pó secante comparado com outras maneiras de secagem do leitão é a capacidade de auxiliar a cicatrização do umbigo dos leitões.

Referências

Relatório anual do desempenho da produção de suínos. Melhores da Suinocultura: 2020, 13ª ed.

Andersen IL, Berg S and Bøe KE. Crushing of piglets by the mother sow (Sus scrofa) – purely accidental or a poor mother? Applied Animal Behaviour Science: 2005, 93, 229–243.

Andersen IL, Haukvik IA, Bøe, KE. Drying and warming immediately after birth may reduce piglet mortality in loose-housed sows. Animal: 2009, 3:4, p 592-597.

Dyck GW, Swierstra EE. Causes of piglet death from birth to weaning. Canadian Journal of Animal Science: 1987, 67, 543–547.

Marchant JN, Rudd AR, Mendl MT, Broom DM, Meredith MJ, Corning S and Simms PH. Timing and causes of piglet mortality in alternative and conventional farrowing systems. The Veterinary Records: 2000, 147, 209–214.

Móres, TJ, Gheller NB, Santi M, Gava D, Gonçalves MAD, Bernardi ML, Bortolozzo FP, Wentz I. Comportamento da temperatura retal de leitões neonatos durante as primeiras oito horas de vida de acordo com o peso ao nascimento. Anais da Pork Expo & Iv Fórum Internacional Da Suinocultura. Curitiba, Brasil. 2010.

Perdomo CC, Kozem EA, Sobestiansky J, Silva AP, Correa NI. Considerações sobre edificações para suínos. Curso de atualização sobre a produção de suínos (Concórdia: EMBRAPA – CNPSA). 1985.

Vande Pol, KD; Tolosa, AF; Shull, CM; Brown, B; Alencar, SAS; Ellis, M. Effect of method of drying at birth on rectal temperature over the first 24h after birth. In: Transl. Anim. Sci., 2020, 4:1, p. 1-12.

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